30 de ago de 2011

Hilda_Hilst


Poemas malditos, gozosos e devotos:


Se já soubesse quem sou

Te saberia. Como não sei

Planto couves e cravos

E espero ver uma cara

Em tudo que semeei.

Pois não dizem que te mostras

Por vias tortas, nos mínimos?

Te mostrarás na minha horta

Talvez mudando o destino

Dessa de mim que só vive

Tentando semeadura

Dessa de mim que envelhece

Buscando sua própria cara

E muito através, a tua

Que a mim me apeteceria

Ver frente a frente.


Há luas luzindo o verde

E luas luzindo os cravos.

Couves de tal estatura

E carmesins dilatados

Que os que passam me perguntam:

São os canteiros de Deus?

Digo que sim por vaidade

Sabendo dos infinitos

De uma infinita procura

De tu e eu.


H.H.

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